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Não sou eu que sou diferente, os outros é que são todos iguais.... (Marcos Sobral)
Vogando pela solidão de mais uma noite como tantas outras decidi criar um blog, não para partilhar a minha vida, mas para partilhar vida.... Gostaria de poder consciencializar cada um para o tempo do tempo....
"Descobri" um poeta cujos poemas são lindos e extremamente bem escritos, poeta este que é considerado o maior poeta americano de todos os tempos (mas também poucos tiveram....). Chama-se Walt Whitman e decidi hoje editar aqui a sua poesia pois merece realmente ser exposta.
To You
by Walt Whitman
Whoever you are, I fear you are walking the walks of
dreams,
I fear these supposed realities are to melt from under your
feet and hands,
Even now your features, joys, speech, house, trade, manners,
troubles, follies, costume, crimes, dissipate away from you,
Your true soul and body appear before me,
They stand forth out of affairs, out of commerce, shops,
work, farms, clothes, the house, buying, selling, eating,
drinking, suffering, dying.
Whoever you are, now I place my hand upon you, that you
be my poem,
I whisper with my lips close to your ear,
I have loved many women and men, but I love none better
than you.
O I have been dilatory and dumb,
I should have made my way straight to you long ago,
I should have blabb'd nothing but you, I should have chanted
nothing but you.
I will leave all and come and make the hymns of you,
None has understood you, but I understand you,
None has done justice to you, you have not done justice to
yourself,
None but has found you imperfect, I only find no
imperfection in you,
None but would subordinate you, I only am he who will
never consent to subordinate you,
I only am he who places over you no master, owner, better,
God, beyond what waits intrinsically in yourself.
Painters have painted their swarming groups and the centre-
figure of all,
From the head of the centre-figure spreading a nimbus of
gold-color'd light,
But I paint myriads of heads, but paint no head without its
nimbus of gold-color'd light,
From my hand from the brain of every man and woman it
streams, effulgently flowing forever.
O I could sing such grandeurs and glories about you!
You have not known what you are, you have slumber'd upon
yourself all your life,
Your eyelids have been the same as closed most of the time,
What you have done returns already in mockeries,
(Your thrift, knowledge, prayers, if they do not return in
mockeries, what is their return?)
The mockeries are not you,
Underneath them and within them I see you lurk,
I pursue you where none else has pursued you,
Silence, the desk, the flippant expression, the night, the
accustom'd routine, if these conceal you from others or
from yourself, they do not conceal you from me,
The shaved face, the unsteady eye, the impure complexion, if
these balk others they do not balk me,
The pert apparel, the deform'd attitude, drunkenness, greed,
premature death, all these I part aside.
There is no endowment in man or woman that is not tallied
in you,
There is no virtue, no beauty in man or woman, but as good
is in you,
No pluck, no endurance in others, but as good is in you,
No pleasure waiting for others, but an equal pleasure waits
for you.
As for me, I give nothing to any one except I give the like
carefully to you,
I sing the songs of the glory of none, not God, sooner than
I sing the songs of the glory of you.
Whoever you are! claim your own at an hazard!
These shows of the East and West are tame compared to you,
These immense meadows, these interminable rivers, you are
immense and interminable as they,
These furies, elements, storms, motions of Nature, throes of
apparent dissolution, you are he or she who is master or
mistress over them,
Master or mistress in your own right over Nature, elements,
pain, passion, dissolution.
The hopples fall from your ankles, you find an unfailing
sufficiency,
Old or young, male or female, rude, low, rejected by the rest,
whatever you are promulges itself,
Through birth, life, death, burial, the means are provided,
nothing is scanted,
Through angers, losses, ambition, ignorance, ennui, what
you are picks its way.
O Captain! My Captain!
by Walt Whitman
Estes dias que são horas, estas semanas que são dias, estes meses que são semanas, estes anos que são meses.... passam e passam e passam e não páram nem por nada. Haja o que houver venha o que vier este tempo não pára nem nunca há-de parar, nem mesmo depois de eu me ir. Parece desprezo, parece desrespeito, parece uma afronta, arrogância, mas é simplesmente a lei. Nascemos num dia para morrermos no outro, sem saber quando iremos morrer, apenas a certeza que iremos, e mesmo assim ainda nos metemos arrogantemente a desperdiçar tempo, tempo que é vida. Podemos morrer amanhã.... podemos morrer hoje.... podemos mesmo estar mortos daqui a uma hora e vinte minutos.... claro que ninguém acredita nisso e pensam sempre que são imortais, e que morrer amanhã é apenas uma estupidez e que só acontece aos outros, o problema, é que nós somos os outros para todos os outros.... Como podemos ser tão arrogantes a ponto de desperdiçar tempo ?? Como somos capazes de não arriscar ? Arriscar mais uma, mais duas, mais vinte e cinco vezes ! Porque serão algumas pessoas tamanhas cobardes ? Preferem algo mais seguro ? Já terão pensado que se calhar se (re)arriscarem poderá estar aí mesmo a sua felicidade ? Ridículo é ficar agarrado á infelicidade ao invés da felicidade. Como e irónico como a felicidade pode estar ali mesmo ao virar da esquina mas há quem prefira dar meia volta e ir até ao beco sem saída.... Como costuma dizer a sábia e anciã sabedoria popular "Quem não arrisca não petisca". Pois é, será preferivel morrer de fome ? Nunca se tem muito a perder a não ser a própria felicidade, por isso deixemos a cobardia de parte e enfrentemos de frente a nossa vida, a nossa felicidade. Nao há maior desilusão que nos desiludirmos a nós próprios.... Mete a cobardia só por momentos de parte, arranja apenas um pouco de coragem ! O que é que tu estás cá a fazer ? Sinceramente pouco me interessa mas.... e o que estou eu cá a fazer ? O mesmo que tu.... alimento para insectos. Queres trabalhar ? Para quê ? Queres ter filhos ? Para quê ? Queres divertir-te ? Para quê ? Tudo o que fazes é para quê ? Faças o que fizeres não escapas, serás mero alimento de meros insectos. Que faz um leão ? Come, dorme, bebe, acasala, sempre assim num circulo continuo. Para quê ? Para ser alimento de insectos. Talvez seja esse o propósito, sermos todos e tudo alimento para a terra. Mas mesmo sendo carne para canhão, e comida de verme, quero aproveitar enquanto não sou devorado. Quero aproveitar enquanto o tempo me vai atropelando. O tempo o tempo.... esse que nos vai escorrendo pelas mãos por entre os dedos como pequenos grãos de fina areia cada vez mais rápido até darmos conta que já nem um grão temos na mão.... e pensar que por vezes ainda abrimos mais as mãos para deixar passar e desperdiçar os já escassos grãos que ainda temos na mão.... Não os podes reter nas mãos mas podes decidir a forma como eles te passam pelas mãos. Aproveita o agora que o depois já não existe. Não acreditas ? Bom logo verás.... daqui a nada.... claro que depois já não poderás voltar a pôr nas mãos a areia. Já caiu.... por isso, começa já a cuidar da tua areia e pensa bem no que vais fazer com ela e como a vais gastar. Amanhã podes receber uma pancada e deixá-la cair toda de uma vez por isso muito cuidado com o que vais fazer com a pouca que te resta.... Pessimista, eu ? Não. Realista....
Marcos Sobral
Maio 2004
Amor....essa palavra que tudo desperta.... O que é afinal ? Benção ? Maldição ? Sofrimento ? Felicidade ? É tudo isso e muito mais.... O amor , sendo a coisa mais poderosa do mundo , tem também esse poder, de ser tudo. Benção, maldição, dor, raiva, indiferença, alegria, sofrimento (quiçá este o mais inerente), felicidade, saudade, desprezo, contradição, choro, riso, sol, chuva. É o eterno ying & yang. Mas o ying & yang é exactamente a representaçao daquilo que se complementa na vida. O amor é sinónimo de apoiar, de ceder, de sofrer muito, de perdoar, de proteger, de preocupação, de amizade, de acreditar, de nunca desistir.... é indefectivel e totalmente irredutivel. Esta é quiçá a definição mais próxima que se pode fazer do que significa o amor e amar. Esse verbo que todos querem conjugar mas que quase nenhuns querem sequer ter o trabalho de aprender gramática.... Que ninguém espere amar e ser amado sem nunca sofrer, lutar, e passar por tudo e mais alguma coisa.... Aliás, a definição de Amor e de Paixão no próprio dicionário cuja descrição transcrevo aqui é nada mais nada menos esta :
Paixão
do Lat. passione, sofrimento
s. f.,
sentimento excessivo;
amor ardente;
afecto violento;
entusiasmo;
cólera;
grande mágoa;
vício dominador;
alucinação;
sofrimento intenso e prolongado;
parcialidade;
Como se pode verificar, como tinha antes referido, o amor é tudo. Amor ardente/Cólera, grande magoa/entudiasmo, sofrimento intenso e prolongado/sentimento excessivo.... O amor não e racional. Tem razões que a própria razão desconhece. O amor é o melhor e o pior já todos sabemos isso. Mas no amor o pior sempre passa e tudo se ultrapassa. Como é mais que sabido , ninguém espere amar sem sofrer, ou ter tudo o que se quer e deseja duma só pessoa, mas desde que dessa mesma pessoa tenha o tal amor , tudo o resto é e se torna irrelevante. Mas lá esta, sendo o amor a coisa mais poderosa existente, também o poder para tudo ultrapassar detém. Basta sermos minimamente fortes e acreditarmos e ter sempre fé e esperança, que sempre lograremos o amor. A esmagadora maioria de todas as pessoas preferem algo seguro mesmo sem amar a ter de lutar por algo e ser realmente e verdadeiramente feliz. Sempre pensamos que já lutámos, que até já tentamos tudo, mas no verdadeiro amor nunca se luta demais nem nunca se tem uma derradeira tentativa. Quando amamos simplesmente nunca desistimos indiferentemente do que quer que se passe. Todos queremos amar e ser amados, mas ninguém quer sofrer. Ai se entra na maior das contradições humanas. Claro que se sofre e muito mas tal como afirmou Aristóteles "Ama-se mais o que se conquistou com esforço". Não é por passarmos por contratempos e sofrimentos e fases negativas que deixamos de amar e muito menos desistimos de um amor. Nunca. Sim, sofre-se é verdade, é algo completamente inevitável e inerente no amor mas, depois de se ultrapassar todos os desentendimentos e quesílias, o amor revela o melhor de si , e ai entramos na sua plenitude. Amar-mos e (re)entregarmo-nos de coração aberto a outra pessoa é a verdadeira razao da nossa existência e de estarmos "aqui". É vivermos. Amar é tudo e mais alguma coisa.
"Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la." (Carlos Drummond de Andrade)
"Não é a infelicidade que nos mata, são as saudades."
"Felicidade é ter algo que amar, e alguém a quem esperar." (Aristóteles)
"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem." (Saint-Exupéry)
"Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor." (Wolfgang Amadeus Mozart)
"Onde há muito sentimento, há muita dor" ( Leonardo da Vinci )
"Todos nós vivemos devorados pela necessidade de ser amados, mas temos medo da insegurança de amar."
"O verdadeiro amor é indefectivel." (Marcos Sobral)
"O amor é proporcional ao que sofremos." (Marcos Sobral)
"A distância traz a saudade, mas nunca o esquecimento."
"Se a natureza me oferecesse duas coisas e me mandasse escolher, eu não me importaria com a segunda, desde que a primeira fosses tu."
"Sentada hoje aqui sozinha, comecei a pensar em você, quando dei me por conta que nunca consegui te esquecer."
"Um homem está não onde mora, mas onde ama." (Ditado italiano)
"Sou capaz de fazer tudo o que tu me pedires, menos deixar de te amar." (Marcos Sobral)
"Pagai o mal com o bem, porque o amor é vitorioso no ataque e invulnerável na defesa." (Lao-Tse)
"O amor é um crime que não pode se realizar sem cúmplice." (Charles Baudelaire)
"Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra." (Rainer Maria Rilke)
Ontem quando regressava, passei por uma pequena loja de antiguidades. Não sustive a mórbida curiosidade tão caracteristicamente humana, e entrei para apreciar aquele passado tão presente. Havia literalmente de tudo. Desde quadros, a caixas, a malas, a cadeiras, até inclusivé uma caveira verdadeira (!) já desgastada pela crueldade do tempo, apenas com meia duzia de dentes e já sem o maxilar inferior. Mas quiçá o que mais me chamou a atenção foi uma pequena caixa de óculos ainda com os mesmos lá dentro.O que teriam já visto aqueles óculos....quantas histórias teriam para contar....quantas confidências teriam para fazer....quantos segredos por partilhar.... Tal como todo o resto de inúmeros e incontáveis objectos que por ali jaziam. Quantas histórias. Quantas estórias.... Tantas lembranças, tantos amores, tantas reminiscências.... Agora nada mais são de que meros objectos esperando e vaticinando que o seu destino faça parte de alguma alma saudosa que os acolha. É o ciclo do maldito tempo. E aqueles velhos objectos que ali ainda jazem hoje, amanhã serão os nossos.... A arte, os livros, os quadros que compramos hoje mesmo, que tão vanguardistas nos podem parecer agora, nada mais serão um dia que meras antiguidades. Velhas, poeirentas, á espera de algo melhor.... Quem sabe um dia não passarei lá e não acolha um. Quem sabe um dia não será o meu crânio apenas um vil objecto, perdido num qualquer canto de uma poeirenta estante.... Quem sabe um dia me acolham.... Quem sabe um dia....
(Hoje decidi não pôr uma fotografia minha mas antes o meu quadro preferido ("Persistência da Memória") do meu autor favorito, Salvador Dali, um verdadeiro génio, que fazia os seus quadros transbordavam sentimento (tal como a também genial Frida Kahlo que se sabia expressar como poucos).
"A idade não depende dos anos, mas sim do temperamento e da saúde; umas pessoas já nascem velhas, outras jamais envelhecem." (Tyron Edwards)
"Quarenta anos é a velhice dos jovens; cinqüenta anos é a juventude dos velhos." (Victor Hugo)
"Não paramos de nos divertir por ficarmos velhos. Envelhecemos porque paramos de nos divertir."
Hoje vou publicar aqui uma simples história, mas que é das mais lindas que já ouvi em toda a minha vida, quiçá por ser além de bela verídica....
A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar as escondidas ?
- Escondidas ? O que é isso ? - perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar. Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
- 1,2,3,... - a Loucura começou a contar.
A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore.
A Alegria correu para o meio do jardim.
Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder.
A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.
A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.
- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar...
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não aguentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder.
E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez... Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:
- Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.
Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas.
Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre....
"Quando o amor não é loucura, não é amor." (Pedro Calderon de La Barca)
"Não compreendemos o amor nem a loucura pois ambos se completam." (Esaú Wendler)
"Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura." (F. Nietzshe)